Como ler o Baralho Cigano da forma certa
Todos nós somos fascinados com a possibilidade de desvendar o que está por vir. Até mesmo para os mais céticos, as artes divinatórias encantam e chamam a atenção, instigam a curiosidade e, muitas vezes, preconceito. Mas, tudo é fruto deste mistério que qualquer oráculo carrega, principalmente, o oráculo de cartas.
Hoje, eu vou te mostrar o passo a passo para você começar a ler o Petit Lenormand, também conhecido como, Baralho Cigano aqui no Brasil. Mas este não é apenas um texto comum, aqui será o seu Guia Definitivo para você interpretar as cartas da forma correta sem precisar decorar palavras-chave.
ESCOLAS DO LENORMAND
Primeiramente, é importante que você saiba que existem algumas ramificações de métodos interpretativos deste oráculo de cartas. As duas principais são a tradição da escola europeia e a tradição da escola brasileira do Petit Lenormand (Baralho Cigano).
Você já deve ter percebido que menciono dois nomes diferentes para o mesmo oráculo: Lenormand e Baralho Cigano. Porém, o nome original é Petit Lenormand e foi inspirado em uma vidente francesa chamada Marie-Anne Adelaide Lenormand que viveu entre 1772 a 1843.
O baralho Lenormand ganhou o nome de Baralho Cigano quando chegou aqui no Brasil no século XIX, pois aqui ele se popularizou entre os povos ciganos e ficou conhecido como o “Baralho dos Ciganos”.
A escola brasileira do Lenormand, na qual chamamos de Baralho Cigano, teve seu marco quando Katja Bastos elaborou a versão brasileira das cartas com sua simbologia readaptada para a cultura afro-brasileira.
A diferença mais marcante está na carta 2 e na carta 36. São por elas que você irá identificar qual escola do Lenormand se trata. E digo isso, porque para quem está começando o ideal é escolher apenas uma tradição para estudar.
A escola europeia tem um trevo de quatro folhas na carta 2 simbolizando sorte, alegrias e pequenas oportunidades. A carta 36, A Cruz, significa as dificuldades, o peso emocional e as tristezas, sendo a “cruz” que estamos carregando.

Na escola brasileira, os significados invertem, no lugar do trevo de quatro folhas na carta 2, geralmente é ilustrado a imagem de pedras e espinhos representando os pequenos desafios e contratempos. Já a carta 36, A Cruz, diz respeito a vitória e glória depois de muito sacrifício.

Outra diferença é que na escola europeia do Lenormand, agrega-se os naipes da cartomancia alemã, que são bem diferentes da cartomancia que conhecemos do Tarô. Na escola brasileira, o Baralho Cigano, originalmente não há associações com naipes.
Mesmo que você escolha começar pela escola europeia, neste primeiro momento, não inclua os naipes na leitura, pois acrescentam uma interpretação mais avançada. Não se preocupe, não haverá prejuízo de interpretação na leitura.
Qual tipo de baralho escolher?
Depois de compreendida a diferença entre as tradições, escolha o baralho mais clássico possível, evite os mais temáticos, por mais atraentes que sejam. No mercado hoje, existem baralhos com ilustrações lindas, mas que por vez fogem muito dos elementos clássicos.
Como por exemplo, no Gilded Reverie Lenormand, a carta O Cavaleiro é representada por uma Amazonas em um cavalo que voa num arco-íris.

Apesar de cada carta ter uma base simbólica, a forma como a imagem é retratada influencia muito na leitura, portanto, quanto mais “neutro” e próximo do clássico, mais fácil para começar. Recomento fortemente, os baralhos abaixo (clique na imagem para adquirir):
Olhe cada imagem e a descreva
Estude a base simbólica de cada carta, entendo a dinâmica da representação da imagem com a situação a ser analisada, sem se prender a palavras-chave ou a polaridades.
Busque por fontes confiáveis, porque tem muita informação equivocada e cheia de misticismo sendo disseminada. Se precisar de um material realmente confiável, recomendo o Guia Master do Lenormand.
Ao invés de decorar palavras-chave, traga a carta para a vida real, por exemplo: Quais são os comportamentos de uma criança? Inspire-se nas crianças que você conhece, como elas reagem, como elas interagem com o mundo.
Você pode conhecer uma criança muito sapeca, muito inteligente e curiosa ou uma criança tímida, bagunceira, birrenta em algumas situações. São geralmente ingênuas, mas ao mesmo tempo nos fazem questionamentos que nos deixam sem resposta.
Reflita com outro exemplo: quais seriam as qualidades da carta do Cachorro se baseando a um cachorro de verdade. Eles podem ser amigáveis ou agressivos quando ameaçados. Podem ser bons companheiros, bagunceiros, bem treinados ou desobedientes. Muitos cachorros são brincalhão, outros são mais atentos e ariscos.
Veja o quão rico de informações uma carta é muito além de palavras-chave, e você certamente está se perguntando:
Como eu vou saber qual desses significados considerar numa leitura?
O que vai dar o tom “evidenciando” ou “anulando” determinada característica é as demais cartas, pois as cartas compõem cenas como se fossem quadros de um filme. E lembre-se, se você está começando, não tire mais do que 3 cartas.
Estrutura da pergunta
Quase ninguém aborda a estrutura da pergunta como eu costumo evidenciar. Na minha visão, esta é a parte mais importante de uma leitura. Leio cartas desde 2011 e ensino desde 2020 e percebi que 80% dos erros de interpretação e dos bloqueios de leitura acontecem porque a pergunta foi mal formulada e o método foi escolhido errado. Raramente, estes equívocos se deram por razão da interpretação da carta em si.
De nada adianta saber “de cor e salteado” os significados das cartas se você não formulou bem a pergunta e não escolheu o método adequado, não conseguirá interpretar corretamente os símbolos ao contexto.
Por isso, sempre elabore uma pergunta concisa, direta ao ponto e específica. Evite sentenças com os conectivos “e” e “ou”, pois eles ligam duas orações em uma frase, ou seja, você terá duas perguntas em uma única sentença e quando for interpretar a resposta não saberá qual das sentenças as cartas se referem. Por exemplo:
Bom, sabendo exatamente o que o seu consulente deseja e formulando a pergunta mais adequada possível, escolha o melhor método de tiragem. Observe se o que se quer saber é um pedido de conselho ou orientação, ou uma previsão de tendências futuras.
Atente-se se o método de tiragem escolhido responde ao que é pedido. De nada adianta pessoa querer saber das tendências futuras e você escolher um método que só oferece uma reflexão ou conselho.
Para quem está começando, busque por métodos com 3 cartas que podem ter cada casa nomeada como:
Passado – Presente – Futuro
Prós – Contra – Conselho
Eu – Encontro – Outro
Estes foram só alguns exemplos, você pode criar um método que responda do jeito que vcê deseja.
Treine diariamente
Um exercício que sempre recomendo é todos os dias pela manhã em um momento de meditação, tire 2 cartas para responder: Como será o meu dia?
Não vire as cartas, deixe as imagens viradas para baixo para que as cartas não influenciem no seu dia.

Quando chegar a noite e você for dormir, tire um momento de reflexão e vire as cartas. Analise como aquelas cartas descreveram o seu dia, anote em um caderno.
Inclusive, quando você não conseguir associar as cartas com o seu dia, apenas anote quais cartas apareceram e descreva o que aconteceu no seu dia como se fosse um diário, sem vincular com as cartas. Depois de algum tempo, retorne a esta tiragem e tente fazer as associações.
Este exercício ajuda a entender como as imagens descrevem um evento ou sitação. Você começará a dominar o padrão simbólico do seu baralho.



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