Afinal, a carta O Trevo no Baralho Cigano é sorte ou dificuldades?
Sempre quando eu abro uma caixinha de perguntas no meu Instagram, surgem pelo menos duas ou mais questionamentos sobre a carta O Trevo.
O motivo disso não é a carta em si, mas o fato de que duas escolas diferentes moldaram significados distintos para o Trevo e pouco é falado sobre tal ramificação. Para compreender essa carta com profundidade, é preciso olhar para essas duas tradições.
A sorte
Na escola europeia do Petit Lenormand, o Trevo é a imagem da boa sorte imediata. Anuncia alegria, satisfação, surpresa agradável, pequenas melhorias, ajudas e ganhos inesperados e tudo aquilo que é importante, afinal achar um Trevo de 4 folhas é um evento excepcional. Esta carta carrega um movimento rápido, leve e descontraído. Um sopro de vento que refresca o dia.

O detalhe pouco conhecido do trevo de quatro folhas é que este fenômeno é raro por ser um defeito genético da planta, uma anomalia que aparece por acaso. E por ser uma raridade natural, tornou-se símbolo de sorte.
Por isso, na tradição europeia, o Trevo no Lenormand simboliza o convite inesperado, o pequeno bônus e a oportunidade passageira. Tudo é breve, tudo é imediato — mas cheio de potencial.
Os pequenos desafios
Encontrapartida, na tradição da escola brasileira do Lenormand, também conhecido como Baralho Cigano, esta mesma carta originalmente é nomeada de Paus e Pedras, representando os contratempos e desafios no decorrer do caminho. Portanto, indica atritos, atrasos, incômodos e dificuldades rotineiras, comparáveis às “pedrinhas do caminho”.

Como os decks mutias vezes, seguem o desenho da escola europeia, muitas cartomantes que seguem a linha brasileira, adequam a imagem do Trevo como "ervas daninhas", para melhor se encaixar nos signifcados da tradição do Baralho Cigano,
De qualquer modo, as dificuldades representadas nesta carta não surgem para punir, e sim para preparar. Inclusive, no meu Guia Master Lenormand pontuo:
No seu material, há uma frase essencial:
Os Trevos ou As Pedras nos apresentam pequenos desafios para que estejamos preparados para lidar com uma Montanha mais adiante.
Em síntese, esta carta na escola brasileira é pedagógica. É o tropeço que nos ensina e nos prepara para lidarmos com uma crise maior. É aquela reunião que atrasa, mas evita um conflito. É um “não” que, mais tarde, se revela proteção. O Trevo funciona como um freio pequeno, mas inteligente.
O ponto em comum
Apesar das diferenças, independente da escola que você segue, existe uma interseção que nunca muda: O Trevo ou Paus e Pedras sempre será uma carta pequena e breve.
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Se traz sorte, é curta e rápida.
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Se traz dificuldade, também é breve e superável.
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Se melhora, melhora logo.
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Se atrapalha, atrapalha pouco.
Então, esta carta reduz a intensidade e o tempo — fazendo o problema passar rápido e a sorte chegar depressa. É o instante, nunca o destino.
Compreender isso é o primeiro passo para ler o Trevo com sem confusão. O ideal é que você escolha qual tradição faz mais sentido para você.